Dissecando Ed Kemper


Ed Kemper não é um serial killer muito famoso. Isto é incompreensível, por uma série de motivos: é americano, matou a própria mãe, confessou em uma entrevista pratricar canibalismo, está vivo e consegue falar de uma forma muito bem articulada. Talvez não seja tão famoso por não ter a arrogância desafiadora de um Ted Bundy? Ou porque não foi ainda roteiro de um bom filme?

Ed Kemper parece um caso típico de transtorno de personalidade anti-social. O diagnóstico recebido na adolescência, de psicótico, parece exagerado, não fundamentado. Um anti-social, os sintomas surgem claramente antes dos 18 anos – e o indício maior é o assassinato dos avós.

A história que Ed Kemper conta, com desprezo por parte da mãe, como gênese da coisa toda, o que nos leva a pensar que seria isso que o teria motivado a matar, facilmente nos deixamos levar por ela.

Esta história nos seduz por sua obviedade, e é também esta obviedade que não nos deixa enxergar como esta explicação é fraca. Nossa cabeça funciona em busca de motivos psicológicos, e a história de problemas com a mãe já está tão fundamentada em nosso (sub/in)consciente, que talvez mesmo se ele tivesse dito que a mãe sempre lhe tratava bem, mas um dia ela lhe deu um tapa sem motivo, talvez ainda assim acharíamos a explicação plausível.

Mas é justamente frente a estas obviedades psicológicas que devemos tentar manter a lucidez. A pergunta sempre deve ser feita: quantas mães não rejeitam seus filhos? E qual a mínima porcentagem destes chega ao ponto de, por causa disto, virar um serial killer?

Vamos para os fatos: A mãe de Ed o trancava no porão e a separação dos pais o privou de seu pai. Mas e daí? Onde estão os exageros da história? Ed foi violentado quando criança? A mãe o espancava? Não, nada disso é relatado.

A mãe de Kemper não tem tanta culpa nesta história. A avó paterna também não. O avô materno também não. Infelizmente, toda uma série de teorias é construída em casos assim. Inclusive pelo próprio criminoso. E quase todo mundo parece crer nelas sem questionar seus fundamentos. Mas, simplesmente, não tem muita lógica a ligação entre seu “sofrimento” na infância e o ponto aonde chego. Teorias dizem que, matando as garotas, simbolicamente matava a mãe. E que, quando matou a mãe, Ed Kemper deixou de simbolizar, não precisava mais matar ninguém, e por isso se entregou. É uma bela história. E, realmente, faz sentido.

O que não faz sentido, é a história da causa do transtorno. Não faz sentido o ódio mortal que sentia da mãe (ou talvez faça), antes dos crimes. Este ódio pode ter sido ou não causado pelas atitudes dela. Enfim, simplesmente nasceu nele, porque ele praticamente nasceu com um problema. As razões para isto, as justificativas para o ódio, sua mente teve que construir. Teve que reforçar os motivos visíveis e reais.

Poderia ter reforçado de outra maneira, em cima do pai. E ter saído matando e violentando homens. Se o pai tivesse tratado-o tão mal, quando criança. Mas foi a mãe, que não tinha como perceber as conseqüências de seus atos sobre uma criança que já era “doente”. Mas lembrem-se, psicopatia, não é uma doença.

(algumas partes retiradas de Oserialkiller.com)

~ por Vodevil em 14 de março de 2011.

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