O prazer da decomposição… II


Como ocorre a decomposição? Quais são as etapas? Eis que aqui, eu lhes respondo:

A pele passa por uma transformação radical: primeiro, ela perde água e resseca, tornando-se amarela e enrugada. Com o ataque das bactérias, ela fica verde e se dilata. Depois aparecem as bolhas. Quando elas se rompem, a pele começa a soltar líquidos e, por fim, se desmancha.
O cadáver começa a ficar duro algumas horas depois da morte por causa do acúmulo de cálcio nos músculos. O corpo do morto se contrai e fica com pernas e braços meio dobrados. Para esticá-los, basta dar um puxão – a história de que é preciso quebrar os ossos do morto para deixá-lo reto não passa de lenda.
No fim da decomposição sobram apenas os ossos e os dentes do cadáver. O segredo é que eles são formados basicamente por minerais, enquanto as bactérias decompositoras se interessam apenas por matéria orgânica. Se o defunto for enterrado em condições normais, longe da umidade e do calor excessivo, esses órgãos podem durar milhares de anos.
Como a pele da região do pênis é mais frouxa que a de outras partes do corpo, os gases bacterianos se infiltram por ali com mais facilidade. Como resultado, o cadáver tem uma falsa ereção ou também conhecida como “ereção da morte” (há um post no blog sobre isso). Mas isso não significa que o defunto está “animadinho”: ele apenas se esticou com a descarga gasosa.
Durante a decomposição, as bactérias que consomem o corpo fabricam subprodutos com um odor nada agradável. Substâncias como a putrescina e a cadaverina ajudam o corpo a cheirar tão mal. Mas o campeão do fedor é o gás sulfídrico, que, além de tudo, é inflamável.
As roupas do funeral, também são uma iguaria muito apreciada pelas bactérias. O algodão e outras fibras naturais vão embora mais rápido, em três ou quatro anos. Já tecidos sintéticos, como náilon e poliéster e outros derivados do plástico, podem durar décadas.
Como os outros órgãos, os olhos dos mortos também se desidratam. A córnea fica com uma espécie de tela viscosa meio esbranquiçada, parecida com um véu.

Mais adiante, quando as bactérias e larvas começam a atuar, os olhos são o prato predileto. Por isso, eles são corroídos rapidinho até sumirem totalmente.
As células cerebrais apagam entre 3 e 7 minutos após a morte. Dias depois, quando os gases da decomposição invadem os órgãos, os tecidos do cérebro começam a se desmanchar. A partir daí, a massa cinzenta vai se tornando um líquido viscoso com a consistência de um mingau com cor de argila, que pode escorrer pelas narinas
Assim que o sangue pára de circular, ele perde oxigênio e fica mais escuro. Em 8 a 12 horas, ele começa a coagular, ficando com a consistência de uma goiabada (nunca mais vão comer goiabada, heim haha). No fim, por ação da gravidade, o sangue concentra-se na parte de baixo do corpo, em regiões como as costas, pernas e pés.
Já ouviu aquele papo de que cabelos, pêlos e unhas crescem depois da morte? É verdade! Eles são feitos de queratina, uma proteína muito resistente. No caso de cabelos e pêlos, a estrutura onde os fios se desenvolvem nem percebe que a irrigação sanguínea acabou. Mas isso só dura 24 horas, quando os fios podem crescer no máximo 0,05 centímetros.
Pela ação das bactérias, os órgãos desprendem-se da estrutura do corpo e desmancham. Os que se decompõem mais rápido são os pulmões (que têm tecidos finos), os intestinos (que já possuem bactérias que ajudam na digestão) e o pâncreas (cujas enzimas agem na decomposição). Um dos que mais demoram é o fígado, pois ele é um dos maiores órgãos do corpo humano.

~ por Vodevil em 23 de janeiro de 2011.

3 Respostas to “O prazer da decomposição… II”

  1. Muito bom o post. Devéras interessante as etapas da decomposição, da já pútrida carne… humana…
    Só receio que na verdade as unhas e cabelos humanos não continuam a crescer após a morte do infeliz. Mas há sim a retração da pele ao redor dessas áreas. Possa ser que isso também não seja verdade. Alguns afirmam que eles continuam crescendo mesmo. Bom, acredite no que quiser.

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  2. Obrigada pela informação… Já pesquisei sobre o assunto, e ambas as respostas parecem certas e erradas, mas mesmo assim, obrigada 🙂

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  3. Adorei a matéria! A decomposição sem dúvida é a parte mais extraordinária.

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